<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3263726292849019191</id><updated>2011-08-02T08:48:20.697-07:00</updated><category term='00 - Prólogo'/><title type='text'>Caburu</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://caburu.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3263726292849019191/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caburu.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Maurício P. 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Um toró, como a gente dizia lá em Belo Horizonte. Não que a chuva tivesse durado muito tempo, ela durou pouquinho. Foi uns quinze minutos de chuva, só. Na verdade algumas pessoas disseram dez minutos, outras falaram quinze e teve gente até falando em meia hora de chuva. A maioria falou em quinze minutos, então eu acho que foi mais ou menos esse o tempo. Bom, isso eu só fiquei sabendo no outro dia, durante a tarde. Na hora que a chuva caiu mesmo eu estava tranqüilo lá em casa, bebendo cerveja e comendo pimenta. Gosto muito daquelas pimentinhas redondas que não ardem na boca, sabe? Chamam essa pimenta de "pimenta biquinho". Acho que é porque elas são meio pontudinhas, ai chamam a ponta que ela tem de bico. Então, eu estava lá em casa na hora que essa chuva caiu. Engraçado é que na cidade não caiu nem um pingo de chuva, diz que só deu aquele céu preto, aquela coisa horrorosa que parecia que o mundo ia acabar – eu nem vi isso. É que eu fico em casa de boa, nos finais de semana, bebendo, comendo pimenta e jogando vídeo game. Minha namorada vai lá em casa e fica mexendo na internet, olhando as coisas no meu computador, e a gente fica assim, de boa. Moro num prédio e nem me ligo se tá chovendo ou se não tá, a janela dá de frente pra outro apartamento. Também não gosto de ficar me ligando se está chovendo ou não, fico com medo, achando que vão me ligar e me chamar pra trabalhar. Não que eu me importe, mas é que... Ah, cara, quando a gente tá jogando vídeo game e bebendo a gente quer ficar em paz, quer ou não quer? Ainda mais final de semana! Fala a verdade! Então, o quê eu queria era ficar em paz, tranqüilo. E fiquei! Mas lá no povoado do Caburu a chuva caiu pra valer mesmo, coisa de louco. Só fiquei sabendo que lá choveu no outro dia. Até que dei sorte. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style='text-align: justify'&gt;No outro dia, era uma segunda-feira, eu cheguei lá no serviço e o Sargento já tava lá, feito um maluco me falando que tava desde cedo rodando de carro. Ai eu perguntei o quê que tinha acontecido e ele falou assim, direto, "caiu pedra do céu lá no Caburu. Cada pedrão que cê não acredita". E eu pensei que não era possível, afinal não tinha nem ouvido barulho de chuva lá em casa! Mas ele disse que sim, tinha chovido pedra lá no Caburu e arrasou plantação, matou galinhas e furou um monte de telhas de amianto de 5 mm. Disse o Sargento que tinha lugar onde falaram da chuva ter quebrado até telha francesa, daquelas de cerâmica! Chuva de pedra quebrar telha francesa eu nunca tinha ouvido falar! Achei até que era exagero do Sargento, mas ele estava com uma cara tão assustada, mas tão assustada, que acreditei naquilo falado por ele antes mesmo da gente ir junto pra lá. E fomos rapidinho, não passou nem dez minutos e eu já tava tirando o carro da garagem, apressado. Ligaram tão desesperados para o Sargento que ele esqueceu de pegar a viatura, foi-se embora no carro dele mesmo, na maior correria. O Sargento é uma figura engraçada, é meio desligado, parece que tá sempre voando, tá sempre no mundo da lua. Quem pode acreditar que ele um dia chegou no serviço numa terça-feira e lá pelas três da tarde virou pra gente e perguntou se era segunda ou sexta? Ai a gente riu muito e eu falei que não era nem segunda, nem sexta: era terça feira! E o Sargento, olhando na folinha, falou meio rindo que era por isso que estavam ligando pra ele chamando pra novena e ele não entendia. O Sargento era assim meio desligado das coisas, mas era boa gente. Ele tava sempre querendo ajudar, e naquele dia a vontade dele de ir resolver as coisas foi tão grande que ele saiu correndo no carro dele mesmo lá pro Caburu.  Acho que ele ainda não sabia como funcionavam as coisas, achava que tava tudo na mão da gente, mas não tava. Não tá! Depende do Coronel do estado, depende do prefeito e depende de mais gente que nem sei o posto; só sei que depende de muita gente mesmo. Se dependesse da gente, tava fácil demais! Mas não é assim que as coisas funcionam, nunca foi. Então eu nem sabia direito ainda o quê tinha acontecido e fui tirar a viatura da garagem. A nossa viatura é bonita, um Fiat branco escrito Defesa Civil, com o símbolos e tudo o mais, com um adesivo de um trem ocupando a parte de trás toda do carro. O mais engraçado é que no vidro o adesivo é cheio de bolinhas, ai dá pra quem tá dentro do carro enxergar o lado de fora, mas quem tá fora do carro não enxerga nada lá dentro. Coisa chique mesmo! Pena que quando mudou o prefeito aqui da cidade, o novo prefeito mandou arrancar os adesivos todos, porque diz que era do prefeito anterior, de partido diferente. O nosso carro não mudaram, a gente não deixou. Falamos que era mandado do estado, que não podia mudar e não sei o quê mais... Deixaram. Agora o nosso carro é o mais diferente da prefeitura, o mais bonito. Também o Bosco e eu todo mês damos um trato nele, levamos pra casa dele e lavamos, limpamos por dentro e tudo o mais. A gente trata como se fosse nosso, passa até aquele troço preto de lustrar pneu. Parece que o carro saiu da concessionária. Bom, então eu tirei o carro da garagem e estacionei ele em frente do escritório, que o Sargento, aliás, gostava de chamar de "base". E o Sargento estava contando para um moço que trabalha na secretária de saúde o estrago que tinha acontecido no Caburu. Ele dizia:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style='text-align: justify'&gt;- É complicado... É complicado uma chuva dessas, a gente não sabe o quê que pode acontecer, né? Ninguém sabe... É complicado...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3263726292849019191-5890822696771765836?l=caburu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caburu.blogspot.com/feeds/5890822696771765836/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://caburu.blogspot.com/2009/08/i.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3263726292849019191/posts/default/5890822696771765836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3263726292849019191/posts/default/5890822696771765836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caburu.blogspot.com/2009/08/i.html' title='I'/><author><name>Maurício P. L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15728402477532915359</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_YgvN-LgN2gg/SrMKvjAq3eI/AAAAAAAAAA4/4JESBvPzf30/s1600-R/112a_grcadeia.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3263726292849019191.post-7730363030129755920</id><published>2009-08-07T22:41:00.001-07:00</published><updated>2009-08-07T23:01:24.470-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='00 - Prólogo'/><title type='text'>Prólogo</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-left: 144pt"&gt;&lt;span style="font-size:12pt;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;São Gonçalo do Amarante é um distrito do município de São João del-Rei, estado de Minas Gerais, Brasil. Pouco se conhece sobre a história do distrito.A existência de uma Igreja barroca, em homenagem ao padroeiro de mesmo nome, é a única fonte de informação. Sabe-se que ela ela foi construída entre os anos 1720 e 1730. O nome original do distrito era São Gonçalo do  Brumado, o nome se referia a um riacho que passa próximo. Em 1923 o nome foi alterado para Caburu, que poderia significar caá (mato) +mburu (maldito) ou poderia, ainda, provir de cab(vespa, marimbondo) + uru (cesto,  recipiente), ou seja, caixa de marimbondos, vespeiro. Só em 1990 o distrito passou a ter o nome atual.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;       &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: right"&gt;&lt;span style=" ;font-family:Times New Roman;color:black;"&gt;&lt;span style="font-size:12pt;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;       &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;       &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: right"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;span style="font-family:Cambria;"&gt;                      "No princípio criou Deus os céus e a terra. E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; mas o Espírito de Deus pairava sobre as águas", assim começa o primeiro livro de Moisés, chamado Gênesis. Sempre pode-se pensar que escrever prólogos em romances só faz atestar a má qualidade do que virá escrito a seguir, quando tudo realmente começa. A bíblia, história de histórias ancestrais da humanidade que sobrevive até hoje, não tem prólogos. Tampouco narrador. Será ela própria um imenso prólogo, terá ela um narrador por trás de seus narradores? Num livro em primeira pessoa, quem escreveria o prólogo? É possível um narrador que paire sobre as águas? Nos tempos de Goethe, para se fugir dessa questão, costumava-se inventar um pseudônimo e dizia-se ter encontrado um caderno de anotações que o autor, certamente ousado, tomava a liberdade de publicar "certo que ele", o verdadeiro autor do diário, "nada teria a temer pessoalmente pois que, na sua maior parte, os nomes são de tal modo extravagantes que não é provável sequer a sua realidade", como escreveu Søren Aabye Kierkegaard em sua obra O diário de um sedutor;  mas os tempos são outros, muita água correu de lá pra cá. Hoje é-se livre para, num romance em primeira pessoa, escrever-se um prólogo sem nome, sem narrador, um prólogo que, pela realidade da estrutura técnica do romance que virá a seguir, é inexistente. Do mesmo modo abre-se a possibilidade de nomear os capítulos, o quê, naturalmente, trata-se de um absurdo, um erro crasso de técnica narrativa. Nosso tempo já admite esses tipos de paradoxos, apesar de não fazer esforço algum para compreendê-los. A pergunta continua sem resposta.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-left: 36pt"&gt;&lt;span style="font-family:Cambria;"&gt;No entanto, "disse Deus: Haja luz. E houve luz".&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: center"&gt;&lt;span style="  ;font-family:Times New Roman;font-size:12pt;color:black;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;      &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3263726292849019191-7730363030129755920?l=caburu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caburu.blogspot.com/feeds/7730363030129755920/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://caburu.blogspot.com/2009/08/prologo_07.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3263726292849019191/posts/default/7730363030129755920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3263726292849019191/posts/default/7730363030129755920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caburu.blogspot.com/2009/08/prologo_07.html' title='Prólogo'/><author><name>Maurício P. L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15728402477532915359</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_YgvN-LgN2gg/SrMKvjAq3eI/AAAAAAAAAA4/4JESBvPzf30/s1600-R/112a_grcadeia.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
